sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O diário de Jack, o Estripador

          Escrito por Shirley Harrison, e publicado pelo universo dos Livros, este livro foi, sem dúvidas, impressionante e diferente do que estou acostumada a ler.
          Este livro é da coleção "comprei na bienal de SP", fiquei encantada logo de primeira. Assim que vi no estande da editora, peguei sem pensar duas vezes.
         Shirley começa contando como, em 1992, recebeu um suposto diário que possivelmente pertenceu James Maybrick, um comerciante de algodão que morreu em 1889. Há algumas suposições sobre sua morte, mas na época ele foi dado como morto por envenenamento de arsênico e sua esposa, Florence, ficou presa por 15 anos até ser libertada. Na última página do suposto diário, James assina como sendo jack, o Estripador, nome que deu a mídia em 1888.
          Durante todo o livro, a autora nos apresenta provas e fatos para que a autenticidade do diário seja comprovada, ela nos mostra as pesquisas e até testes de escrita para comprovar que a tinta é da época e também apresenta fatos históricos sobre James, Florence e todos aqueles envolvidos com ambos, tentando fazer um paralelo com o diário.Outros fatos contados são os que se referem ao próprio diário, ao processo de chegada em suas mãos e os posteriores métodos de análise.Apesar de muito importantes para a obra, eles acabam deixando a leitura muuuuuito cansativa, tanto pela quantidade de nomes citados, quanto pelo fato de ela intercalar muito o presente com o passado, além de ter muitos buracos na história, que são preenchidos com suposições.
               O livro não foi o que eu esperava. Quando o vi pela primeira vez, imaginei ser o próprio  Jack narrando, ou apenas seu diário. Mas vai bem além disso, a autora conta como conseguiu o (SUPOSTO) diário e sua trajetória até a escrita do livro. No começo, estava extremamente empolgada e me apaixonei. Como a maioria dos livros que trata de fatos reais, imaginei que ela seria imparcial e mostraria a história dos três suspeitos (que citados no livro), que a polícia tinha na época, mas, até mesmo antes de provar a autenticidade (que não foi provada) do diário, ela partiu do princípio que era e focou a história em Maybrick.
             Se o livro fosse a história de James, seria bem melhor, mas lendo o final, onde ela coloca partes do suposto diário escritos à mão, nota-se que qualquer pessoa que pegasse o diário, principalmente a polícia (já que ele estava entre os três acusados) descobriria na hora que Maybrick era culpado.
             A autora enfatiza muito os fatos que provam que o diário é verdadeiro, e de certa forma, exclui aqueles que vão contra.
            O que me fez contestar a autenticidade do diário também, é: se esse diário fosse realmente verdadeiro, porque só a autora falou sobre ele? Digo, como ele não foi divulgado antes e mesmo no lançamento do livro, porque nada foi divulgado? Com certeza, o diário de Jack, o Estripador, o assassino em série mais famoso do mundo e que não tinha identidade faria muito sucesso, todos iriam querer saber quem foi o monstro que asssombrou Whitechapel. Além disso, recentemente foi supostamente descoberta a verdadeira identidade de Jack, e ele era um dos três suspeitos citados no começo do livro. Segundo exames de DNA contendo sangue e esperma que foram encontrados no chale de Catherine, uma das vítimas, e preservados até hoje, Jack era o imigrante Polonês Aaron Kominski, que morreu em 1919 em um hospital para doentes mentais.
           Não estou dizendo que Kominski é culpado e nem que Maybrick não é, mas essas informações me fizeram questionar o diário e sua autenticidade.
          Aqui , aqui  e aqui vocês podem ver as matérias relacionadas ao Kominski e julgar por conta própria.
          Apesar de não acreditar na autenticidade do diário, as análises psicológicas são muito bem feitas, o próprio diário (sendo verdadeiro ou não) é perturbador. As imagens no final, que são verdadeiras, foram muito bem colocadas.
         Para quem curte um bom mistério e a todo esse mundo história de Jack, recomendo assistir Ripper Street, (que não tem o foco diretamente na história de Jack). Na trama, passaram-se seis meses desde o último assassinato do Estripador, e Londres (principalmente Whitechapel) torce para que o reino de tenha acabado.
         Contem para a gente o que acharam!    

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